Reajuste
do salário mínimo elevará em R$ 40 bi gasto da Previdência em 2016
Luiz Guilherme Gerbelli - O Estado de S. Paulo
11 Agosto 2015 | 05h 00
Fórmula de correção do mínimo
deve levar a um reajuste de R$ 788 para R$ 867 no ano que vem; como 70% das
pensões e das aposentadorias pagas pelo INSS são de até um salário mínimo,
crescerá a pressão sobre os cofres públicos
O gasto previdenciário terá um forte crescimento em
2016. A despesa do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) com todos os
benefícios deverá chegar a R$ 488,579 bilhões, um aumento considerável ante os
R$ 438,971 bilhões que serão desembolsados pelo governo em 2015, segundo
cálculos da consultoria Tendências.
A despesa previdenciária deverá ser impulsionada
sobretudo pelo aumento do salário mínimo, causado pela inflação elevada de
2015. “Em torno de 70% das aposentadorias e pensões são de até um salário
mínimo”, afirma Fabio Klein, economista da Tendências.
Na previsão feita pelo economista-chefe da
consultoria MB Associados, Sergio Vale, apenas o aumento do mínimo deve trazer
um impacto de R$ 40 bilhões.
A regra que estabelece o valor do mínimo prevê
reajuste com base na variação medida pelo Índice Nacional de Preços ao
Consumidor (INPC) mais o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos
antes.
Para 2015, a projeção é que o INPC fique um pouco
acima de 9% - até julho, está acumulado em 7,42%, enquanto o crescimento da
economia brasileira em 2014 foi de 0,1%. Dessa forma, o valor do salário mínimo
deverá sair dos atuais R$ 788 para R$ 867 no ano que vem.

Gasto previdenciário terá um forte crescimento em
2016
Em termos reais, segundo Klein, da Tendências, o
crescimento real na despesa previdenciária será de 5,6%, levando-se em conta
uma previsão de inflação de 5,4% em 2016.
,
Herança. A herança da inflação elevada e o consequente
impacto nas contas do governo devem se tornar um entrave adicional para o
ajuste fiscal promovido pela equipe econômica. Para 2016, a promessa do governo
é de fazer um superávit primário de 0,7% do PIB. O governo chegou a se comprometer
com um resultado de 2% do PIB, mas revisou o número no fim de julho, quando
também rebaixou a promessa de superávit para 2015
“A tendência, mesmo assim, é de números fiscais um
pouco melhores (em 2016) do que este ano caso continuem avançando, mesmo que lentamente,
as medidas fiscais do Levy (Joaquim Levy, ministro da Fazenda)”, afirma Vale.
Batalha política. Recentemente, a equipe econômica travou uma
batalha política para evitar um aumento ainda maior da despesa
previdenciária.
Em junho, o Congresso derrotou o governo e aprovou
uma emenda que permitiria que todos os benefícios da Previdência fossem
reajustados com base na política de valorização do salário mínimo. No fim do
mês passado, no entanto, a presidente Dilma Rousseff vetou a extensão da regra,
mas ampliou a fórmula de cálculo atual do salário mínimo até 2019.
A importância da despesa do INSS fica bastante
evidente quando é comparada com o tamanho da economia brasileira. Os benefícios
pagos no ano que vem serão equivalentes a 7,9% do PIB, nível recorde e uma alta
de 0,5 ponto porcentual na comparação com 2015.
O aumento da despesa ao longo dos anos impressiona.
Em 1988, ano em que a Constituição foi promulgada, os benefícios equivaliam a
2,5% do PIB. “Se as regras do mínimo e da Previdência não forem alteradas, não
há como o gasto da Previdência ser reduzido nos próximos 50 anos”, afirma o
economista Mansueto Almeida.
Para lembrar. A regra atual de reajuste do salário mínimo
começou a ser discutida em 2006, no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula
da Silva. A política de promover o ganho acima da inflação começou a vigorar em
2008. Embora cause pressão nas contas públicas, a política estabelecida para o
mínimo é apontada como um forte instrumento de transferência de renda, por ter
elevado o poder de compra da população, aumentando o consumo que sustentou o
crescimento da economia nos últimos anos. A maioria dos beneficiários do INSS
recebe até um salário mínimo.